16 de setembro de 2016

Eu gosto de ser velha! Libertei-me!

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Fico incrédula muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele.
Um dia desses uma jovem me perguntou como eu me sentia sobre ser velha. Levei um susto, porque eu não me vejo como uma velha. Ao notar minha reação, a garota ficou embaraçada, mas eu expliquei que era uma pergunta interessante, que pensaria a respeito e depois voltaria a falar com ela. Pensei e concluí: a velhice é um presente. Eu sou agora, provavelmente pela primeira vez na vida, a pessoa que sempre quis ser.
Oh, não meu corpo! Fico incrédula muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele, os pneus rodeando o meu abdome, através das grossas lentes dos meus óculos, o traseiro rotundo e os seios já caídos. E constantemente examino essa pessoa velha que vive em meu espelho (e que se parece demais com minha mãe), mas não sofro muito com isso.
Não trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, e o carinho de minha família por menos cabelo branco, uma barriga mais lisa ou um bumbum mais durinho.
Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais condescendente comigo mesma, menos crítica das minhas atitudes. Tornei-me amiga de mim mesma. Não fico me censurando se quero comer um bolinho-de-chuva a mais, ou se tenho preguiça de arrumar minha cama, ou se compro um anãozinho de cimento que não necessito, mas que ficou tão lindo no meu jardim. Conquistei o direito de matar minhas vontades, de ser bagunceira, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar paciência no computador até às 4 da manhã e depois só acordar ao meio-dia?
Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos das décadas de 50, 60, 70 e se, de repente, chorar lembrando de alguma paixão daquela época, posso chorar mesmo.
Andarei pela praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulharei nas ondas e darei pulinhos se quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros. Eles, também, se conseguirem, envelhecerão.
Sei que ando esquecendo muita coisa, o que é bom para se poder perdoar. Mas, pensando bem, há muitos fatos na vida que merecem ser esquecidos. E das coisas importantes, eu me recordo freqüentemente. Certo, ao longo dos anos meu coração sofreu muito.
Como não sofrer se você perde um grande amor, ou quando uma criança sofre, ou quando um animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão a força, a compreensão e nos ensinam a compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser forte, apesar de imperfeito.
Sou abençoada por ter vivido o suficiente para ver meu cabelo embranquecer e ainda querer tingi-los a meu bel prazer, e por ter os risos da juventude e da maturidade gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes que seus cabelos pudessem ficar prateados.
Conforme envelhecemos, fica mais fácil ser positivo. E ligar menos para o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Conquistei o direito de estar errada e não ter que dar explicações. Assim, respondendo à pergunta daquela jovem graciosa, posso afirmar: “Eu gosto de ser velha”. Libertei-me! 

(Texto de autora desconhecida)


28 de agosto de 2016

O adeus da feroz torturadora da verdade e do idioma

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Neste 29 de agosto, o país verá em ação a Dilma que diz frases sem pé nem cabeça até quando lê e a Dilma que não diz coisa com coisa quando desanda no improviso
A pior oradora de todos os tempos protagoniza derrapagens espetaculares até quando está lendo discursos encomendados a quem consegue juntar sujeito e predicado. Foi assim em dezembro de 2009, durante a Conferência do Clima promovida em Copenhague, quando a chefe da Casa Civil do governo Lula surpreendeu o mundo com a notícia assombrosa: “O meio ambiente é, sem dúvida, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”, recitou Dilma Rousseff sem tirar os olhos do papel. E foi em frente. Como não se corrigiu, não se explicou e nem pediu desculpas, continua valendo o que disse.

Em agosto de 2013, numa visita a Campinas, Dilma começou a ler à tarde o discurso escrito para ser lido à noite. Ela contava a sofrida saga de “uma mulher que estudou até a quinta série do curso fundamental porque vivia na roça com mais nove irmãos e não teve condições de continuá estudano” quando se deu conta de que aquilo era para mais tarde. “Mas essa mulher eu vou tratá dela no próximo… na próxima cerimônia que eu vou participá aqui em Campinas que é a formação do Bolsa Família”, informou. Dado o aviso, desandou a explicar por que “a casa própia é muito importante”. Isso mesmo: “própia”.

Se a Dilma dos discursos escritos é uma oradora de alta periculosidade, a Dilma dos palavrórios de improviso é uma selvagem serial killer da retórica. Neste 29 de agosto, a transmissão pela TV Senado do depoimento da presidente agonizante permitirá que milhões de brasileiros acompanhem ao vivo a primeira e última apresentação conjunta dessas duas Dilmas. A que diz frases sem pé nem cabeça até quando lê vai caprichar num falatório fantasiado de Auto da Injustiçada. A que não diz coisa com coisa quando improvisa vai responder a perguntas dos senadores.

Dilma garante que foi ela quem resolveu defender-se pessoalmente no Senado. Como nenhum dos áulicos que seguem frequentando o palácio assombrado ousou apresentar-lhe os perigos da ideia de jerico, a performance da segunda-feira vai atestar que o impeachment livrará o Brasil, simultaneamente, de uma recordista mundial de incompetência, de uma mentirosa compulsiva e de uma torturadora da língua portuguesa.

Ela seria poupada desse vexame derradeiro se a missão impossível fosse repassada aos senadores que permanecem a bordo da embarcação condenada cujo piloto é José Eduardo Cardozo. O texto que inunda com lágrimas de esguicho os golpistas cruéis, por exemplo, deveria ser berrado por Lindbergh Farias, uma gritaria a serviço da pouca vergonha. As réplicas aos senadores favoráveis ao impeachment ficariam por conta dos integrantes da tropa, devidamente municiados com vídeos que registram alguns dos melhores piores momentos da chefe.

Gleisi Hoffmann cuidaria de mostrar que a presidente reincidiu em pedaladas criminosas por ter compreendido que a Lei de Responsabilidade Fiscal é mesquinharia de avarento shakespeariano diante da grandiosidade de um Minha Casa, Minha Vida. Vale tudo para impedir que tão esplêndido programa definhe por falta de verbas — até raspar o cofre do Banco do Brasil. Quem discordar de Gleisi será calado pela exibição do vídeo em que Dilma ensina que uma casa é muito mais que uma casa: “Porque casa é primeiro sinônimo de segurança. Casa, depois, é sinônimo de uma outra coisa muito importante. Um lugar para a gente construir laços afetivos. É ali na casa que o pai e a mãe amam as crianças, dão instruções para as crianças, educam as crianças… e os jo
vens. É ali na casa também que cumeça… né? Os encontros, os namoros, os noivados, os casamentos

Em seguida, Vanessa Grazziotin explicaria que a gastança ilegal com obras de infraestrutura só é coisa de meliante juramentado aos olhos de gente que não sabe direito, por exemplo, para que serve uma ponte. É só ouvir o que a presidente diz no vídeo: “Por que o que que é uma ponte? Uma ponte é geralmente, e é algo que nós devemos nos inspirar, porque uma ponte é um símbolo muito forte. Pensem comigo, uma ponte ela une, uma ponte fortalece, uma ponte junta energia, uma ponte permite que você supere obstáculos”.


 
Kátia Abreu provaria que só uma estadista dotada de um sexto sentido pode enxergar as coisas que só Dilma vê — quem mais seria capaz de ver um cachorro oculto por trás de cada criança? No desfecho da contra-ofensiva, Humberto Costa apresentaria o vídeo em que a Mãe do Brasil Maravilha, numa única frase, saúda a mandioca, exalta o milho e anuncia a descoberta da mulher sapiens.
O show do quinteto de patetas faria mais que abreviar em algumas horas o desfecho da chanchada do impeachment. Também obrigaria a nação a apressar a caça a respostas exigidas por duas perguntas perturbadoras. Como pôde o Brasil eleger e reeleger um poste fabricado pelo farsante que oficializou a celebração da ignorância? E como conseguiu o país sobreviver a figuras assim?

Z"Apesar de você, o amanhã há de ser outro dia"... Fora, PresidentA inocentA!

Por: Augusto Nunes 28/08/2016 às 8:45

20 de agosto de 2016

A carta inútil e os argumentos fora de tom, de Dilma Rousseff

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Dilma desperdiça o seu vernáculo embolado e incompreensível numa carta onde tenta construir uma narrativa de saída que a transforme em vítima. Missão impossível. 
Contrariando os próprios aliados, insiste em falar de golpe e assim ataca e desqualifica a Casa que vai julgá-la. Desatino. 
Na contramão do que pensa a sua base política, o partido que a inventou e os movimentos sociais teoricamente favoráveis a ela, defende um plebiscito estapafúrdio. Na essência sugere voltar ao cargo para logo depois sair. Lorota sem tamanho. 
Por linhas tortas, promulgaria uma espécie de autogolpe, sem amparo constitucional. Como definiu o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, a ideia é “brincadeira de criança”. 
Parlamentares, governadores, além do interino, Temer – que finalmente botou para andar o governo e procura consertar as barbeiragens da antecessora –, renunciariam solidariamente, ao seu lado, para que um projeto de lei, a ser enviado ao Congresso, desabroche com o buquê das eleições antecipadas. 
Dilma almeja com o assunto inebriar o discernimento dos incautos. Dois terços do Senado e da Câmara teriam de dar aval à ideia em arrastadas votações de dois turnos (em cada plenário) que, na prática, caso evoluísse, estenderia a discussão até o prazo final do mandato em 2018. Artimanha rasteira. 
Ela mesma não acredita, nem deseja, nem irá mover uma palha nessa direção de plebiscito. Quer apenas, como faz sempre, incitar a bagunça generalizada.


“Testamento para a posteridade”, deve imaginar a autora – nos moldes da célebre mensagem deixada nos idos de 50 pelo memorável Getúlio Vargas. Mas longe disso, o documento de Dilma a empurra para o ostracismo político puro e simples. 
No todo e em partes, a carta dela nada mais é que a demonstração exaustiva de sua inapetência e inabilidade para o poder. Por inúmeras vezes a mandatária afastada prometeu o que não queria e não iria cumprir. Falou em pacto (como repete agora de novo) ainda em meio às convulsões sociais de 2013, quando o povo tomou às ruas em protesto contra ela. Logo a seguir, com a temporária trégua, engavetou o tema.
 Dilma que prometeu luz barata para todos em plena campanha aplicou, ao reassumir, remarcações cavalares nas tarifas. Quebrou o setor. Quebrou, em suma, uma nação inteira. Praticou estelionato eleitoral para chegar lá. E não obstante o crescente número de provas e evidências de seus malfeitos, ainda se diz traída e perseguida. Por aliados, opositores, pela sociedade em geral que lhe deu, segundo as pesquisas, o mais alto índice de rejeição da história.
 Dilma não enxerga os fatos como eles são. Parece fugir da realidade. Está sendo demitida por justa causa. E não deixará saudades. A sua missiva trata na verdade de uma fala de despedida do posto ocupado por intermináveis 5,5 anos; durante os quais a petista gerou uma recessão histórica, manipulando contas, sabotando estatais e promovendo desemprego em massa. 
Como alguém pode ser capaz de escrever que “o Brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história” sem reconhecer que foi dela a maior parcela de responsabilidade por isso? 
Dilma fala de reformas que ao longo de sua temporada brasiliense nunca mostrou qualquer interesse em fazer. No balanço de gestão – se é que pode ser entendido assim –, diz inverdades contra o Congresso, tratando de bloqueios de pauta adotados pelo seu próprio partido e alega, sem lastro, que antecessores na presidência também pedalaram. Esquece, propositalmente, que foi de Fernando Henrique a concepção da Lei de Responsabilidade Fiscal. 
De uma maneira ou de outra, expedientes tardios já não adiantam mais. Não mudarão a seu favor um único voto. Ela segue os passos derradeiros de uma desastrosa passagem pelo Planalto. Arrependimentos estão fora de cogitação na sua cartilha. Ela chegou a culpar até o PT pelo pagamento ilegal do marqueteiro nas campanhas de 2010 e 2014. Nada fez, diz, mas acaba de entrar como investigada na Operação Lava Jato por obstrução de Justiça. 
Como ofensiva, na última trincheira, ainda vai repetir a dose de frágeis argumentos e platitudes em um testemunho presencial no Senado, nesta semana. Algo contraproducente. Para a esmagadora maioria dos brasileiros e pelo bem geral de todos, Dilma tem que ser página virada.

Autor: Carlos José Marques. Colunista da Rev. Isto É.

Flávia Saraiva, uma pequena grande atleta!

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TALENTO Flávia na final da ginástica olímpica por equipes no Rio.A trave é sua especialidade (Foto: Lars Baron/Getty Images)

As mãos de Flávia Saraiva impressionam. São grandes, fortes. Chamam a atenção quando se conversa com a menina de 16 anos, 1,33 metro de altura, 31 quilos e voz de criança, que virou uma espécie de mascote olímpico do país. Na primeira semana da Olimpíada, a cada vez que seu nome era anunciado na Arena Olímpica, onde acontecem as competições de ginástica artística, a plateia em uníssono gritava “Flavinha”. Em um esporte que privilegia os mais baixos – quanto mais perto do chão estiver o centro de gravidade do ginasta, mais fácil manter o equilíbrio nas piruetas –, ela é a menor entre as competidoras que no domingo disputaram a final da trave.

Mas não se engane com a aparente fragilidade da atleta que posta fotos nas redes sociais com românticas coroas de flores na cabeça ou cercada pelos bichinhos de pelúcia de sua coleção. Flávia não tem só mãos fortes. Também tem personalidade. Ao enfrentar um batalhão de jornalistas na terça-feira, dia 9, depois de o time feminino ficar em último lugar na final por equipes, respondeu com voz firme – e fininha – àqueles que perguntavam por que o desempenho de algumas ginastas tinha sido tão pior do que na fase classificatória. “Porque no esporte é assim. Um dia você vai muito bem e no outro não. É claro que queríamos sair daqui com medalha, mas não deu. E, em um trabalho de equipe, a responsabilidade é de todas. O que as pessoas têm de pensar é que ficamos entre as melhores do mundo.” A colocação repetiu a obtida em 2008, em Pequim, e foi melhor do que o resultado de 2012, quando o Brasil chegou em 12o lugar e ficou fora das finais.

Flávia nasceu em Três Rios, cidade do interior do Rio de Janeiro. Está no 3o ano do ensino médio e pensa em se tornar fisioterapeuta. É apaixonada pelos Minions, os personagens que surgiram na animação Meu malvado favorito e ganharam vida própria. Tão apaixonada que a mãe, Fabia, fez um chapéu usando um Minion de pelúcia, que vem usando para acompanhar as participações da filha na Olimpíada.

O caminho para os Jogos começou aos 8 anos, quando a menina que preocupava a mãe com a mania de dar cambalhotas e ficar pendurada em uma goiabeira no quintal de casa, em Paciência, um bairro de classe média baixa na Zona Oeste do Rio, foi parar em um projeto social da treinadora Georgette Vidor, coordenadora da equipe brasileira. Na escola de iniciação esportiva, a garota baixinha e magrinha chamou a atenção. No ano em que o Rio foi escolhido como cidade sede dos Jogos, em 2009, ela começou a ser preparada para disputar de igual para igual com os grandes nomes da ginástica artística.

Sua especialidade é a trave. A certeza de que Flavinha tinha condições de ganhar uma medalha nesse aparelho levou a comissão técnica a decidir poupá-la da disputa individual geral – aquela em que vence quem somar mais pontos depois de passar por todos os aparelhos. Em seu lugar entrou Jade Barbosa, que abandonou a disputa ao se machucar em uma queda na apresentação de solo. Na trave, a ginasta ficou com a quinta posição. Simone Biles ficou com o bronze.

“É claro que é ruim não ganhar”, diz. “Mas estou aproveitando para olhar tudo e aprender com elas (a equipe dos Estados Unidos)”. Aprender e tietar. Na etapa classificatória, em alguns momentos, com discrição, ela fotografava as rivais. “Elas são mitos, não posso perder essa chance”, diz.



19 de agosto de 2016

Taís Araújo homenageada pela Vogue!

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Taís Araújo foi pega de surpresa pela homenagem da edição americana da revista Vogue (Foto: Fabrizia Granatieri)

Eleita – merecidamente – pela edição americana da Vogue “a estrela mais estilosa e corajosa da TV brasileira”, Taís Araújo conta que foi pega de surpresa. “Acordei com várias pessoas me marcando em fotos nas redes sociais, chamando para a matéria. Quando fui ver, quase caí para trás. Ninguém me entrevistou, ninguém me perguntou nada, ou seja, foi coisa deles mesmos.

A matéria – a segunda mais compartilhada no site da revista em todo o mundo, perdendo apenas para um vídeo com a garota da capa da edição de setembro, Kendall Jenner – não apenas disseca e enaltece os looks mais emblemáticos de Taís, mas também celebra seu engajamento na luta contra o preconceito e o racismo. “Estou toda boba”, brinca ela. “Quem diria, do Méier para a Vogue América.”

Pois é, Tais, quem é rainha, nunca perde a majestade! Você tem valor e está sendo reconhecida internacionalmente. Parabéns, minha linda e talentosa estrela!


30 de julho de 2016

Ivete Sangalo dá uma grande lição sobre respeito e igualdade...

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Na última quarta-feira (27), Ivete Sangalo fez um discurso emocionante durante a entrevista de lançamento do novo DVD "Ivete Sangalo - Acústico em Trancoso".
Na coletiva, uma das perguntas se referia à responsabilidade de, como uma das celebridades mais influentes do Brasil, levantar a bandeira LGBT. A resposta foi uma grande lição sobre respeito e igualdade. 

"Eu sempre tive uma preocupação de não interferir nas decisões das pessoas sob um prisma meu. Sobre coisas das quais eu acredito e que em algum momento da minha vida eu possa mudar o conceito sobre isso. (...) Mas coisas que eu tenho a convicção de que são verdadeiramente honestas e eu jamais mudaria minha posição sobre elas, aí eu abro o bocão.
Diante de fatos, como a homofobia, isso é humanamente inadmissível. Não há nada que possa mudar, nada que possa vir, que possa transformar minha opinião sobre isso. Porque politicamente, hoje eu posso acreditar em algumas coisas dentro das minhas necessidades como cidadã, que é diferente da necessidade da grande maioria, por conta de oportunidades, estilo de vida que eu tenho, as opiniões, mas com relação a isso, que é algo que não vai mudar, você não respeitar o outro porque o outro é homossexual... O que o fato de alguém ser homossexual mudará na vida minha ou na sua? Fique atento, porque pode mudar sempre para melhor. [...]

"O mundo está do jeito que está porque as pessoas não se libertam para o amor. As pessoas se prenderam no ódio, no julgamento. Não existe opinião, existe julgamento. E a pior coisa do mundo é a gente não compreender que essa roda cai na gente. Em algum momento seremos julgados também. Isso só gera sofrimento, que gera ódio, que gera angústia, que gera essa quantidade de violência que a gente tem. Eu fico até rubra. Meu rosto fica quente quando falo disso. Por que eu acho isso de uma ignorância, de um retrocesso humano incrível. Em contrapartida, eu fico feliz de que nos tempos de hoje, a gente possa falar.
O gay não precisa ser ajudado não, ninguém quer ajuda não. As pessoas querem respeito. Você pode até não gostar, mas respeite para ser respeitado. Aí amigo, você vê como ia funcionar."

Vale lembrar a importância do debate. Em 2013, foram contabilizados 312 assassinatos, mortes e suicídios de gays, lésbicas, travestis e transexuais brasileiros, vítimas de homofobia e transfobia, de acordo com um levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB). O documento inclui a morte de uma transexual brasileira no Reino Unido e um rapaz morto na Espanha. A média é de uma morte a cada 28 horas.
Para Ivete, discutir um assunto é uma arma poderosa de combate às injustiças."Quanto mais se fala sobre isso, mais a casca engrossa, mais defesa se tem, mais consciência se tem dentro da sociedade."

Autora: Isabella Marinelle (Rev. Cláudia)


Sexalescentes ou… Sexygenários?

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Se estivermos atentos, podemos notar que está a aparecer uma nova classe social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de idade. Os sexalescentes: é a geração que rejeita a palavra “sexagenário”, porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se envelhecer.
Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica – parecida com a que, em meados do século 20, se deu com a consciência da idade da adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como vestir-se.
Este novo grupo humano que hoje ronda os sessenta teve uma vida razoavelmente satisfatória. São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram durante décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram há muito a atividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a vida.
Talvez seja por isso que se sentem realizados… Alguns nem sonham em aposentar-se. E os que já o fizeram gozam plenamente cada dia sem medo do ócio ou da solidão, crescem por dentro quer num, quer na outra. Desfrutam a situação, porque depois de anos de trabalho, criação dos filhos,
preocupações, fracassos e sucessos, sabem bem olhar para o mar sem pensar em
mais nada, ou seguir o vôo de um pássaro da janela de um 5.º andar…
Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e ativas, a mulher tem um papel destacado. Traz décadas de experiência de fazer a sua vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar.
Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração dos “sessenta”, homens e mulheres, lida com o computador como se o tivesse feito toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe (e vêem-se), e até se esquecem do velho telefone para contatar os amigos – mandam e-mails com as suas notícias, ideias e vivências.
De uma maneira geral estão satisfeitos com o seu estado civil e quando não estão, não se conformam e procuram mudá-lo.
Raramente se desfazem em prantos sentimentais.
Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos. Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflete, toma nota, e parte para outra…
Os maiores partilham a devoção pela juventude e as suas formas superlativas, quase insolentes de beleza; mas não se sentem em retirada.
Competem de outra forma, cultivam o seu próprio estilo…
Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do esporte.
Nem as mulheres sonham em ter as formas perfeitas de um modelo.
Em vez disso, conhecem a importância de um olhar cúmplice, de uma frase
inteligente ou de um sorriso iluminado pela experiência.
Hoje, as pessoas na década dos sessenta, como tem sido seu costume ao longo da sua vida, estão a estrear uma idade que não tem nome.
Antes seriam velhos e agora já não o são.
Hoje estão de boa saúde, física e mental, recordam a juventude mas sem nostalgias tolas, porque a juventude ela própria também está cheia de nostalgias e de problemas.
Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios…
Talvez por alguma secreta razão que só sabem e saberão os que chegam aos 60
no século 21…

Autora: Por Tita Teixeira