14 de novembro de 2016

O mundo das fantasias femininas na terra do faz de conta!

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Vivemos em uma sociedade que valoriza imensamente a juventude e a beleza, diminuindo o valor da falta delas, ou seja , desvalorizando a velhice. 
Numa sociedade altamente consumista como a atual , a juventude deve ser perpetuada a qualquer custo, lançando-se mão para isso de tudo o que possa existir no mercado do rejuvenescimento, sem regras, que prometa a eterna juventude.
É verdade que no mundo da fantasia tudo e todos podem ser como se queira que sejam. Assim, geralmente não se espera que tal promessa de eterna beleza seja mesmo verdadeira, mas que simplesmente leve a pessoa ao mundo da fantasia e do faz de conta, que pode dar credibilidade até mesmo ao mais desconfiado dos seres vivos que vivam preocupados com a questão do envelhecimento.
Há bem menos de cinqüenta anos atrás, uma jovem tinha como meta de beleza conseguir manter-se bela e desejável pelo menos até a chegada do primeiro filho. Diga-se ainda que isto era mesmo o máximo de sonho que ela poderia Ter quanto à sua questão estética. Tampouco era esperado mais que isso para ela, salvo raras exceções em que fosse financeiramente estável e pudesse contar com a ajuda de pessoas que a ajudassem na trabalhosa dedicação ao “ser bela”.
Hoje, uma garota de quinze anos já sabe muito bem qual o “defeito”, “problema”, “falta”, excesso” ou outras coisas mais, que quer corrigir em seu corpo ainda de menina, que já se acha mulher. Em plena idade de despedir-se de suas bonecas de vez, a menina-moça, como era chamada há muito tempo, tem que se preocupar em agradar ao mundo da beleza obrigatória e corresponder ao bendito padrão de beleza, todos tão essenciais para se ser feliz nos dias atuais. É exatamente esse o pensamento vigente na maioria das cabeças das tantas adolescentes existentes neste nosso mundo de hoje.
No lugar de fadas e histórias de amor, ela carrega como sonho Ter um bom personal trainner, um bom dermatologista, um bom cabeleireiro, uma boa grife para vestir e um bom cirurgião plástico. É evidente que se uma garota tem orelhas de abano que a impedem até mesmo de usar um gracioso “rabo de cavalo” nos cabelos, fazer uma cirurgia corretiva pode até mesmo fazer-lhe muito bem. Não estou referindo-me ao problema real, mas sim ao problema que existe apenas na ótica da própria pessoa.
Realmente a busca pela eterna beleza é coisa que vem de muito longe na história da humanidade, porém, nunca se deu tanta atenção a isto como nos dias de hoje. Parece até mesmo descabida a preocupação para com a aparência, como se ser belo e jovem fizessem realmente toda a diferença na vida das pessoas. Esquecem-se elas, no entanto, que se a beleza hoje em dia é fundamental, outros tantos fatores também são extremamente importantes para que uma pessoa se dê bem na vida. Isto é, há outros fatores que fazem toda a diferença na vida de uma pessoa, seja ela jovem ou não.
Mas , nossa sociedade tão necessitada de um consumo desenfreado, tenta embutir nas pessoas a idéia de que para ser feliz é preciso fazer... fazer academia, fazer tratamentos mil, fazer plástica reparadora. Que para ser feliz é preciso ser sempre jovem, corrigindo, de tempos em tempos, as linhas que esse mesmo tempo insiste em acentuar. Por isso talvez é que a indústria da beleza e da cosmetologia seja sempre a que mais se desenvolve a nível mundial.
Quem quer na verdade ver partir um rosto de aparência juvenil? Quem em sã consciência deseja deixar de ser jovem, dinâmico e belo? Claro que ninguém. Porém é urgente que se devolva às jovens e às mulheres em geral o senso principal da feminilidade, a questão da liberdade feminina de optar-se por ser como se quiser ser. É necessário fazer com que uma jovem saiba que sua missão como mulher vai muito além do simples prazer que possa proporcionar com seu belo visual. É preciso fazê-la ver que sendo o verdadeiro foco do concorrido mercado da beleza, tornou-se submissa a ele pela própria característica que ele tem.
Ao vender sonhos de beleza eterna, a indústria da beleza vende a idéia de que para ser feliz é necessário ser bela para sempre, e só. Como se o saber e o fazer fossem componentes sem nenhum valor na personalidade de uma jovem.E embora o sábio mercado publicitário agregue à idéia da beleza o conceito da saúde e inteligência, fica implícita a mensagem de que para uma mulher Ter sucesso na vida ela tem que ser bela e eternamente jovem. 

Fica aqui a pergunta: para que servirão as lições aprendidas em tantas lutas sociais que tiveram como bandeira a emancipação feminina? Será que ficaram perdidas num pote de um caro creme rejuvenescedor? Será que acabaram dentro de um mero tubo de tinta que servem apenas para esconder os cabelos brancos tão reveladores da falta de juventude? Será que ficaram calcadas nas finas linhas do tempo que insistem em vincar uma pele antes jovem e macia? Diga você, mulher, jovem ou não, para que serviram afinal tantas batalhas travadas pelas nossas avós?

6 de novembro de 2016

O Miss Universo 2016 será nas Filipinas...

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Miss Universo 2016 já conta com dezenas de candidatas eleitas – no total mais de 100 países devem ser representados. Ao contrário da organização do Miss Brasil, que elegeu nossa representante apenas no dia 1º de outubro, existem países que se preparam com bastante antecedência. Enquanto por aqui não havia nenhuma eleita nos estaduais, o MU já contava com diversas candidatas. E o Miss Universo será realizado nas Filipinas, no dia 30 de janeiro de 2017. A apresentação será de Steve Harvey, ele mesmo, na companhia da belíssima Olivia Jordan, Miss EUA 2015.

Miss Brasil, Raissa, é belíssima. Aposto nela para levar a coroa!

Pia Alonzo Wurtzbach, que foi eleita num dos episódios mais polêmicos da história do concurso, vai coroar sua sucessora em casa. Esta será a terceira vez que as Filipinas sediarão o concurso (foram sede em 1974 e 1994). O concurso acontece em 29 de janeiro de 2017, mas devido ao fuso horário, aqui no Brasil já estaremos no dia 30. Quanto ao horário, provavelmente será entre 21h e 23h de domingo.

Será que o Brasil volta a passar pelo TOP 15? Nas duas últimas edições nossas representantes pararam na primeira eliminatória, interrompendo uma sequência de TOPs 5.A WME-IMG, gigante do setor de moda e entretenimento, adquiriu os direitos da franquia Miss Universo, que antes eram de Donald Trump. A WME é basicamente uma agência de talentos, sediada em Beverly Hills, fundada em abril de 2009. Ela representa artistas em todas as plataformas de mídia: filmes, televisão, música, teatro e internet.

Neste espaço, logo no começo do post, vai estar reservado para trazer as últimas notícias do concurso. Sempre que divulgarem notícias importantes, elas estarão aqui, em ordem de data.

03 de janeiro de 2016 | Todos têm curiosidade de saber quais os prêmios para a vencedora do Miss Universo. Veja então a lista do que Pia Wurtzbach ganhou: 
US$ 250 mil (quase 1 milhão de reais, já que o dólar está pertinho dos R$ 4) 
Salário considerável (mas não divulgado) 
Aluguel de um apartamento de luxo em Nova York por 1 ano (ou até terminar seu reinado), sem precisar pagar absolutamente nada – inclusive roupas e alimentação 
Ela será membro da New York Film Academy of Visual Performing Arts, por um ano 
Um ano de produtos para cabelos da CHI 
Uma coroa de diamantes de 120 mil dólares 
Muitos sapatos da grife chinesa Laundry Shoes 
Direito de frequentar a academia Gravity Fitness por um ano 
Ensaios com o fotógrafo Fadi Berisha, responsável pelas fotos “glam” do Miss Universo 
Um guarda-roupas completo com grifes não divulgadas pela organização.

Uma curiosidade (ou característica?) do Miss Universo foi levantada pela Miss França do ano passado; a bela disse que as competidoras das Américas são privilegiadas. E não deixa de ter uma certa razão. Basta lembrar que nas últimas oito edições do Miss Universo as vencedoras foram de: Venezuela (em 2008, 2009 e 2013), do México (em 2010), Estados Unidos (em 2012) e Colômbia (em 2014). Quem “furou” esse domínio foram a angolana Leila Lopes, na edição 2011 realizada em São Paulo e agora com a filipina Pia Alonzo Wurtzbach. Curiosamente, a única europeia a figurar no TOP 5 da última edição foi exatamente a francesa.

A última europeia a conquistar o Miss Universo foi Oxana Fedorova, da Rússia, em 2002; mas logo depois foi destronada dando lugar à Justine Pasek, do Panamá (apesar de ser ucraniana de nascimento). A última europeia, de fato, a ser coroada foi a Miss Noruega, Mona Grudt, em 1990. Não à toa, os concursos nacionais do velho continente dão preferência para o Miss Mundo.A Record transmitirá o concurso.
Fonte: Blog Curiosando.

26 de outubro de 2016

As proezas cirúrgicas de Anitta!

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                                           Anitta, linda, antes das cirurgias! 

Genteeee, Que que é isso na boca da cantora Anita? Valha-me, meu São Benedito! A moça parece ter perdido totalmente a noção de proporcionalidade, de estética e do que seja realmente beleza. Diante de tamanho exagero, não temo em afirmar que a rebolativa diva do funk já resvalou inapelavelmente para o universo da bizarrice, do ridículo. 
A jovem já se submeteu a um sem número de procedimentos cirúrgicos no corpo e no rosto. Se ela continuar assim, vai acabar ficando irreconhecível. As fotos abaixo comprovam o que estou escrevendo:




Anita corre o sério risco de, daqui a pouco tempo, olharmos para ela e simplesmente não a reconhecermos. Será que a moça está com a síndrome de M. Jackson? Ou será mesmo uma inexplicável admiração pela boca do Pato Donald? Este último caso é o que a foto abaixo sugere:
Alguém tem dúvida de que Anitta vem se esforçando ao máximo para se tornar a Gretchen2030? Claro que não. Nesse campo minado só se tem certezas. Senão vejamos as proezas cirúrgicas da rebolativa diva do funk: A mimosa moça já tirou ali, já esticou aqui, já siliconou acolá e por aí vai, firme e audaciosa, modificando o corpinho e o rostinho, bem bonitinhos, que Deus lhe deu. Pois é, o dinheiro é dela, o corpito e, principalmente, os lábios super turbinados são dela... né mesmo? Nada temos a ver com isso, ficamos fofocando por pura inveja da belezura estonteante da jovem poderosa!
Acontece que o exagero de alguns procedimentos é tão medonho que corremos o risco de não mais reconhecer a moça. Anitta parece ter perdido de forma absoluta a noção do que é beleza, de proporcionalidade e de adequação, e resvalando irrecorrivelmente para o perigoso território da bizarrice, do ridículo. Se ela continuar com essas sucessivas cirurgias correrá o sério risco de tornar-se irreconhecível.
Vá lá que ela seja vidrada na boca do Pato Donald! Mas, daí a copiar o modelito e ficar com essa beiçola donaldesca... é demais! 
De tal forma a jovem beiçuda vem exagerando que agora já se torna difícil saber distinguir se ele fez algum procedimento nas bochechas para inflá-las ou se se trata de uma make de péssima qualidade. O fato é que a cantora apresentou-se no “Show das Poderosinhas” na noite do domingo, 9, em São Paulo, um tanto esquisita:

13 de outubro de 2016

A exuberante beleza da Miss Brasil 2016!

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A belíssima Raissa Santana é a Miss Brasil 2016! A representante do Paraná foi coroada em 1º de outubro, no Citibank Hall, em São Paulo, pela gaúcha Marthina Brandt, MB 2015.
Apesar do título ir para o ranking o Paraná, os baianos podem comemorar muito, já que Raissa nasceu na Bahia e se mudou para o Paraná quando criança.

E depois da vitória de uma loira, voltamos a ter uma Miss Brasil negra, finalmente! E Raissa é apenas a segunda negra coroada Miss Brasil Universo em todos os tempos! A primeira (e única até então) foi bela e estilosíssima Deise Nunes, em 1986; há exatos 30 anos. Vale salientar que a terceira colocada ni concurso é também negra e linda!
Esta foi a primeira edição do MB 100% sob o comando da Be Emotion, linha de produtos de beleza da Polishop. Tirando o fato da premiação da Miss Be Emotion (no lugar da tradicional Miss Simpatia) praticamente tudo continuou como antes, em termos de organização; inclusive as constantes alterações nas datas dos estaduais. Uma pena.
Claro que pequenas evoluções aconteceram, como a coroação em traje de gala; um pedido antigo dos fãs do mundo miss, mas é pouco para esses mesmos fãs que almejam ver novamente uma brasileira com a coroa de Miss Universo. 

É digno de nota que o fato de pela primeira vez termos tido seis candidatas negras em um concurso Miss Brasil. Este é um fato para ser comemorado, pois sintomatiza uma mudança de atitude super louvável por parte das moças negras brasileiras. Espero que elas continuem participando e destacando-se nesse tipo de evento. Vale observar a beleza dessas seis jovens afrodescendentes.

Miss Rio Grande do Norte. Segunda colocada

As três finalistas. A terceira colocada, Miss Maranhão, também é negra e linda! 
Raissa Santana agora começa uma intensa reparação, justamente, para o Miss Universo, que acontece em 30 de janeiro de 2017.
A Miss Brasil 2016 ganhou além da coroa e da vaga no Miss Universo, uma viagem com acompanhante para a Itália, onde irá conhecer a matriz da Gama Italy (fabricante dos produtos Be Emotion) na cidade de Bologna; ganhou também um conjunto de jóias da Vivara e 1 carro Kia Picanto 0 km. E para finalizar, um contrato com a Polishop no valor de R$ 100 mil.
A segunda colocada foi a Miss Rio Grande do Norte e a terceira foi a Miss Maranhão.As duas ganharam uma viagem com acompanhante para Cartagena das Índias (Colômbia) e um conjunto de jóias da Vivara.

Vencedora: (Paraná) Raissa Santana
2º lugar: (Rio Grande do Norte) Danielle Marion
3º lugar: (Maranhão) Deise D’anne


16 de setembro de 2016

Eu gosto de ser velha! Libertei-me!

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Fico incrédula muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele.
Um dia desses uma jovem me perguntou como eu me sentia sobre ser velha. Levei um susto, porque eu não me vejo como uma velha. Ao notar minha reação, a garota ficou embaraçada, mas eu expliquei que era uma pergunta interessante, que pensaria a respeito e depois voltaria a falar com ela. Pensei e concluí: a velhice é um presente. Eu sou agora, provavelmente pela primeira vez na vida, a pessoa que sempre quis ser.
Oh, não meu corpo! Fico incrédula muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele, os pneus rodeando o meu abdome, através das grossas lentes dos meus óculos, o traseiro rotundo e os seios já caídos. E constantemente examino essa pessoa velha que vive em meu espelho (e que se parece demais com minha mãe), mas não sofro muito com isso.
Não trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, e o carinho de minha família por menos cabelo branco, uma barriga mais lisa ou um bumbum mais durinho.
Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais condescendente comigo mesma, menos crítica das minhas atitudes. Tornei-me amiga de mim mesma. Não fico me censurando se quero comer um bolinho-de-chuva a mais, ou se tenho preguiça de arrumar minha cama, ou se compro um anãozinho de cimento que não necessito, mas que ficou tão lindo no meu jardim. Conquistei o direito de matar minhas vontades, de ser bagunceira, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar paciência no computador até às 4 da manhã e depois só acordar ao meio-dia?
Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos das décadas de 50, 60, 70 e se, de repente, chorar lembrando de alguma paixão daquela época, posso chorar mesmo.
Andarei pela praia em um maiô excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulharei nas ondas e darei pulinhos se quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros. Eles, também, se conseguirem, envelhecerão.
Sei que ando esquecendo muita coisa, o que é bom para se poder perdoar. Mas, pensando bem, há muitos fatos na vida que merecem ser esquecidos. E das coisas importantes, eu me recordo freqüentemente. Certo, ao longo dos anos meu coração sofreu muito.
Como não sofrer se você perde um grande amor, ou quando uma criança sofre, ou quando um animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão a força, a compreensão e nos ensinam a compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser forte, apesar de imperfeito.
Sou abençoada por ter vivido o suficiente para ver meu cabelo embranquecer e ainda querer tingi-los a meu bel prazer, e por ter os risos da juventude e da maturidade gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes que seus cabelos pudessem ficar prateados.
Conforme envelhecemos, fica mais fácil ser positivo. E ligar menos para o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Conquistei o direito de estar errada e não ter que dar explicações. Assim, respondendo à pergunta daquela jovem graciosa, posso afirmar: “Eu gosto de ser velha”. Libertei-me! 

(Texto de autora desconhecida)


28 de agosto de 2016

O adeus da feroz torturadora da verdade e do idioma

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Neste 29 de agosto, o país verá em ação a Dilma que diz frases sem pé nem cabeça até quando lê e a Dilma que não diz coisa com coisa quando desanda no improviso
A pior oradora de todos os tempos protagoniza derrapagens espetaculares até quando está lendo discursos encomendados a quem consegue juntar sujeito e predicado. Foi assim em dezembro de 2009, durante a Conferência do Clima promovida em Copenhague, quando a chefe da Casa Civil do governo Lula surpreendeu o mundo com a notícia assombrosa: “O meio ambiente é, sem dúvida, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável”, recitou Dilma Rousseff sem tirar os olhos do papel. E foi em frente. Como não se corrigiu, não se explicou e nem pediu desculpas, continua valendo o que disse.

Em agosto de 2013, numa visita a Campinas, Dilma começou a ler à tarde o discurso escrito para ser lido à noite. Ela contava a sofrida saga de “uma mulher que estudou até a quinta série do curso fundamental porque vivia na roça com mais nove irmãos e não teve condições de continuá estudano” quando se deu conta de que aquilo era para mais tarde. “Mas essa mulher eu vou tratá dela no próximo… na próxima cerimônia que eu vou participá aqui em Campinas que é a formação do Bolsa Família”, informou. Dado o aviso, desandou a explicar por que “a casa própia é muito importante”. Isso mesmo: “própia”.

Se a Dilma dos discursos escritos é uma oradora de alta periculosidade, a Dilma dos palavrórios de improviso é uma selvagem serial killer da retórica. Neste 29 de agosto, a transmissão pela TV Senado do depoimento da presidente agonizante permitirá que milhões de brasileiros acompanhem ao vivo a primeira e última apresentação conjunta dessas duas Dilmas. A que diz frases sem pé nem cabeça até quando lê vai caprichar num falatório fantasiado de Auto da Injustiçada. A que não diz coisa com coisa quando improvisa vai responder a perguntas dos senadores.

Dilma garante que foi ela quem resolveu defender-se pessoalmente no Senado. Como nenhum dos áulicos que seguem frequentando o palácio assombrado ousou apresentar-lhe os perigos da ideia de jerico, a performance da segunda-feira vai atestar que o impeachment livrará o Brasil, simultaneamente, de uma recordista mundial de incompetência, de uma mentirosa compulsiva e de uma torturadora da língua portuguesa.

Ela seria poupada desse vexame derradeiro se a missão impossível fosse repassada aos senadores que permanecem a bordo da embarcação condenada cujo piloto é José Eduardo Cardozo. O texto que inunda com lágrimas de esguicho os golpistas cruéis, por exemplo, deveria ser berrado por Lindbergh Farias, uma gritaria a serviço da pouca vergonha. As réplicas aos senadores favoráveis ao impeachment ficariam por conta dos integrantes da tropa, devidamente municiados com vídeos que registram alguns dos melhores piores momentos da chefe.

Gleisi Hoffmann cuidaria de mostrar que a presidente reincidiu em pedaladas criminosas por ter compreendido que a Lei de Responsabilidade Fiscal é mesquinharia de avarento shakespeariano diante da grandiosidade de um Minha Casa, Minha Vida. Vale tudo para impedir que tão esplêndido programa definhe por falta de verbas — até raspar o cofre do Banco do Brasil. Quem discordar de Gleisi será calado pela exibição do vídeo em que Dilma ensina que uma casa é muito mais que uma casa: “Porque casa é primeiro sinônimo de segurança. Casa, depois, é sinônimo de uma outra coisa muito importante. Um lugar para a gente construir laços afetivos. É ali na casa que o pai e a mãe amam as crianças, dão instruções para as crianças, educam as crianças… e os jo
vens. É ali na casa também que cumeça… né? Os encontros, os namoros, os noivados, os casamentos

Em seguida, Vanessa Grazziotin explicaria que a gastança ilegal com obras de infraestrutura só é coisa de meliante juramentado aos olhos de gente que não sabe direito, por exemplo, para que serve uma ponte. É só ouvir o que a presidente diz no vídeo: “Por que o que que é uma ponte? Uma ponte é geralmente, e é algo que nós devemos nos inspirar, porque uma ponte é um símbolo muito forte. Pensem comigo, uma ponte ela une, uma ponte fortalece, uma ponte junta energia, uma ponte permite que você supere obstáculos”.


 
Kátia Abreu provaria que só uma estadista dotada de um sexto sentido pode enxergar as coisas que só Dilma vê — quem mais seria capaz de ver um cachorro oculto por trás de cada criança? No desfecho da contra-ofensiva, Humberto Costa apresentaria o vídeo em que a Mãe do Brasil Maravilha, numa única frase, saúda a mandioca, exalta o milho e anuncia a descoberta da mulher sapiens.
O show do quinteto de patetas faria mais que abreviar em algumas horas o desfecho da chanchada do impeachment. Também obrigaria a nação a apressar a caça a respostas exigidas por duas perguntas perturbadoras. Como pôde o Brasil eleger e reeleger um poste fabricado pelo farsante que oficializou a celebração da ignorância? E como conseguiu o país sobreviver a figuras assim?

Z"Apesar de você, o amanhã há de ser outro dia"... Fora, PresidentA inocentA!

Por: Augusto Nunes 28/08/2016 às 8:45

20 de agosto de 2016

A carta inútil e os argumentos fora de tom, de Dilma Rousseff

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Dilma desperdiça o seu vernáculo embolado e incompreensível numa carta onde tenta construir uma narrativa de saída que a transforme em vítima. Missão impossível. 
Contrariando os próprios aliados, insiste em falar de golpe e assim ataca e desqualifica a Casa que vai julgá-la. Desatino. 
Na contramão do que pensa a sua base política, o partido que a inventou e os movimentos sociais teoricamente favoráveis a ela, defende um plebiscito estapafúrdio. Na essência sugere voltar ao cargo para logo depois sair. Lorota sem tamanho. 
Por linhas tortas, promulgaria uma espécie de autogolpe, sem amparo constitucional. Como definiu o ministro do Supremo, Gilmar Mendes, a ideia é “brincadeira de criança”. 
Parlamentares, governadores, além do interino, Temer – que finalmente botou para andar o governo e procura consertar as barbeiragens da antecessora –, renunciariam solidariamente, ao seu lado, para que um projeto de lei, a ser enviado ao Congresso, desabroche com o buquê das eleições antecipadas. 
Dilma almeja com o assunto inebriar o discernimento dos incautos. Dois terços do Senado e da Câmara teriam de dar aval à ideia em arrastadas votações de dois turnos (em cada plenário) que, na prática, caso evoluísse, estenderia a discussão até o prazo final do mandato em 2018. Artimanha rasteira. 
Ela mesma não acredita, nem deseja, nem irá mover uma palha nessa direção de plebiscito. Quer apenas, como faz sempre, incitar a bagunça generalizada.


“Testamento para a posteridade”, deve imaginar a autora – nos moldes da célebre mensagem deixada nos idos de 50 pelo memorável Getúlio Vargas. Mas longe disso, o documento de Dilma a empurra para o ostracismo político puro e simples. 
No todo e em partes, a carta dela nada mais é que a demonstração exaustiva de sua inapetência e inabilidade para o poder. Por inúmeras vezes a mandatária afastada prometeu o que não queria e não iria cumprir. Falou em pacto (como repete agora de novo) ainda em meio às convulsões sociais de 2013, quando o povo tomou às ruas em protesto contra ela. Logo a seguir, com a temporária trégua, engavetou o tema.
 Dilma que prometeu luz barata para todos em plena campanha aplicou, ao reassumir, remarcações cavalares nas tarifas. Quebrou o setor. Quebrou, em suma, uma nação inteira. Praticou estelionato eleitoral para chegar lá. E não obstante o crescente número de provas e evidências de seus malfeitos, ainda se diz traída e perseguida. Por aliados, opositores, pela sociedade em geral que lhe deu, segundo as pesquisas, o mais alto índice de rejeição da história.
 Dilma não enxerga os fatos como eles são. Parece fugir da realidade. Está sendo demitida por justa causa. E não deixará saudades. A sua missiva trata na verdade de uma fala de despedida do posto ocupado por intermináveis 5,5 anos; durante os quais a petista gerou uma recessão histórica, manipulando contas, sabotando estatais e promovendo desemprego em massa. 
Como alguém pode ser capaz de escrever que “o Brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história” sem reconhecer que foi dela a maior parcela de responsabilidade por isso? 
Dilma fala de reformas que ao longo de sua temporada brasiliense nunca mostrou qualquer interesse em fazer. No balanço de gestão – se é que pode ser entendido assim –, diz inverdades contra o Congresso, tratando de bloqueios de pauta adotados pelo seu próprio partido e alega, sem lastro, que antecessores na presidência também pedalaram. Esquece, propositalmente, que foi de Fernando Henrique a concepção da Lei de Responsabilidade Fiscal. 
De uma maneira ou de outra, expedientes tardios já não adiantam mais. Não mudarão a seu favor um único voto. Ela segue os passos derradeiros de uma desastrosa passagem pelo Planalto. Arrependimentos estão fora de cogitação na sua cartilha. Ela chegou a culpar até o PT pelo pagamento ilegal do marqueteiro nas campanhas de 2010 e 2014. Nada fez, diz, mas acaba de entrar como investigada na Operação Lava Jato por obstrução de Justiça. 
Como ofensiva, na última trincheira, ainda vai repetir a dose de frágeis argumentos e platitudes em um testemunho presencial no Senado, nesta semana. Algo contraproducente. Para a esmagadora maioria dos brasileiros e pelo bem geral de todos, Dilma tem que ser página virada.

Autor: Carlos José Marques. Colunista da Rev. Isto É.