23 de julho de 2009

Como borboletas em revoada!

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A eleição da representante do Rio Grande do Norte, Larissa Costa Silva de Oliveira, 25, como miss Brasil 2009, quebrou um jejum de 20 anos do Nordeste na disputa. A última representante da região a ser eleita a mulher mais bonita do país foi a cearense Flávia Cavalcante, em 1989. Enquanto cumpre sua agenda lotada, Larissa se prepara para representar o Brasil no Miss Universo. O concurso será realizado no dia 23 de agosto, nas Bahamas.



Larissa Costa é a primeira Norteriograndense a usar o manto e a coroa de Miss Brasil. Modelo desde os quatorze anos, a passarela não é novidade para ela, daí a sua desenvoltura e porte elegante nos desfiles. Aliás, o que mais me chamou a atenção no Concurso Miss Brasil 2009 foi justamente a elegância, a exuberância, a perfeita maneira de pisar na passarela e a beleza da maioria das candidatas, em sua maioria também modelos. O segundo detalhe a me chamar a atenção foi o fato de Larissa ser a única a não ter silicone nos seios, ser esbelta por natureza e, portanto, a única a não ter artifícios no corpo. Isto me fez lembrar uma outra moça de beleza sem artifícios que, como Larissa, venceu concursos de Miss e representou São Bernardo no concurso para a escolha de Miss São Paulo 2008: Francine Piaia. A beleza natural das duas moças é incontestável!




Larissa e Francine irrompem no universo das mulheres belas brasileiras como uma raridade e, ao mesmo tempo, como um resgate da beleza natural do corpo feminino, nos tempos atuais modelada pelo bisturi e pela cânula da lipoaspiração, modificada pelos preenchimentos com metacrilato e pelos alisamentos de marcas de expressão com botox. Daí, aqueles seios empinados, todos quase iguais, como que fabricados em série e com aspecto artificial. Os seios das mulheres já não têm o singularíssimo formato que a natureza lhes concedeu, tampouco a consistência táctil, menos ainda a variedade de contornos que fazia dessa parte da anatomia da mulher o ponto principal de sedução, de atração e de apelo sexual em relação aos homens em nível paritário com a beleza da região glútea.


Em meio à onda de mulheres vulgaríssimas, sem classe, sem grandes estilo que vem ocupando espaços na programação de TV, tendo como únicos atributos as protuberâncias glúteas e os peitos siliconados em extremos, ameaçando estourar os soutiens, surgem para salvar minha visão poluída, os meu bom gosto massacrado e o meu senso estético pisoteado, as moças dos estados brasileiros que participaram do Concurso Miss Brasil. Aí, sim tivemos um show de beleza, classe, elegância e refinamento. Moças belíssimas em trajes deslumbrantes desfilam na passarela leves e ligeiras como borboletas em revoada. Corpos femininos sem as protuberâncias glúteas das mulheres frutas, jovens que estudam, que somam à beleza física o cultivo do intelecto, que jamais fariam como ponto de interesse das suas pessoas um mísero piercing vulgarmente posto na genitália. Naquela passarela não havia bundas falantes. Lavei a alma.


O concurso Miss Brasil 2009 chegou num momento em que eu já estava saturada das “Frutas” do pomar carioca, cansada das mesquinhas figuras do BBB9, enojada das entrevistas boçais de ex-bbs desejosas de prolongar por mais uns minutinhos a fama transitória que lhes cabe, já em processo de extinção. Que venha o Miss Universo, que apareçam mais mulheres belas, inteiras, belas da cabeça aos pés e nos salve da visão fragmentada das mulheres bundas, das mulheres-piercing, das mulheres que, em muitos momentos, fazem-me sentir por elas a tal vergonha alheia. Pobres meninas, não escaparão da invasão da celulite, do despencar da toucinheira, que farão delas figuras dignas de uma tela de Brottero .


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